POST INAUGURAL - xadrez en passant e as nossas vidas
É certo desde tempos longínquos que em tempos de paz, a melhor forma de combater é usando o tabuleiro. Ninguém sabe exatamente quem, quando, nem como foi criado este jogo tão maravilhoso, que é o xadrez, mas é sabido que vem desde muito tempo cativando e causando admiração em todos que um dia descobriram o prazer de uma boa partida.
Eu, por exemplo, conheci este jogo ainda na minha infância. Tinha entre 10 e 11 anos, quando um amigo também da mesma idade, me apresentou ao tabuleiro e as peças. Em minhas lembranças trago comigo a curiosidade que me tomou ao imaginar as imensas possibilidades, pois cada peça possuía um movimento diferente. Aquilo foi desafiador e conquistou meu interesse imediatamente. Naquela ocasião, me foram apresentadas as peças, cada uma com seu movimento próprio e sua força, o que me fez despertar, mesmo que de forma inconsciente, para o espírito de equipe que aquele jogo exigia. Não era possível, utilizar-se por exemplo, da Rainha, com toda a sua majestosa imponência, e dominar assim o adversário. Seria inútil este confronto, pois o adversário, já mais conhecedor das sutilezas daquele jogo, sabia que a vitória era o prêmio para quem melhor combinasse suas forças.
Passaram-se anos depois daquele momento, até que novamente tive a oportunidade de reencontrar aquele jogo que havia me fascinado. Naquele segundo momento, eu já um pouco mais maduro, com meus 14 anos, era estudante do curso técnico em eletrônica na Escola Técnica Federal da Paraíba- ETFPB. Ali, havia no espaço do Grêmio Estudantil, uma escolinha de xadrez, e eu não desperdicei aquela oportunidade de tentar desbravar o que havia por detrás daquele jogo tão especial. E foi a partir daí que comecei a levar o xadrez mais a sério. A conhecer um pouco das táticas e estratégias daquele jogo milenar.
Um fato curioso desse período, é que minha sala de aula que possuía aproximadamente uns 35 alunos, haviam muito poucos que não haviam despertado o interesse por este jogo, talvez uns 5 ou 6. Devido a isso, nos horários de intervalo das aulas, não faltavam adversários interessados em compartilhar aqueles bons momentos diante de um companheiro e um tabuleiro de xadrez.
Pois bem, considero essa a minha época de ouro com o xadrez. Quando pude descobrir um pouco dos segredos guardados entre aquelas 64 casas. Nesse período, pude conhecer e admirar algumas pessoas, que marcaram a vida enxadrística da Paraíba e quiçá do Brasil. Dentre elas, aquelas que trago mais forte em minha lembrança, devido a proximidade no dia a dia, ou por ter presenciado ou tomado conhecimento de algum fato marcante, foram elas: Ivanilson Pereira, meu professor na escolinha de xadrez do Grêmio Estudantil da Escola Técnica Federal da Paraíba - ETFPB, atualmente persiste bastante atuante no xadrez, como jogador e algumas vezes como árbitro; Abdala Salomão, coordenou a seletiva para o Jogos Escolares Brasileiro - JEBS e foi meu técnico quando da minha classificação para aquele evento; Anchieta Antas Filho, meu parceiro nos JEBS e grande rival nos eventos estudantis no Estado, pois defendíamos bandeira diferentes. Eu pela ETFPB e ele pelo PIO X - Marista; Wagner e Douglas Torres, grandes amigos e rivais nos tabuleiros, que tenho o prazer de manter no meu circulo de amizades até os dias atuais; Renato Araújo, que tive a honra de enfrentar naquela Seletiva para os JEBS em 1988; Os gêmeos Jesus e Marinaldo Medeiros, meus antecessores na equipe da ETFPB e nos JEBS, quando conseguiram por mais de uma vez, uma honrosa posição para a Paraíba (não recordo exatamente qual, mas não foi inferior ao 3º lugar); Os dois Franciscos, Cavalcanti e Noguweira, que assisti por várias vezes disputarem lance a lance as conquistas nos tabuleiros naquela época; O saudoso Wandeilton, um eterno gozador nos tabuleiros, sempre brincalhão. de quem tive a honra de vencer uma única vez, no ano de 1989, na disputa dos Jogos da Amizade que aconteciam anualmente no Esporte Clube Cabo Branco; Também não posso deixar de lembrar da Revista Jogo Aberto, distribuída gratuitamente com os amantes da Arte de Caíssa; O Clube de Xadrez Epistolar Brasileiro, com a célebre frase: "Leva o xadrez, traz o amigo", que cumpria com a sua proposta de levar o xadrez a todos os cantos, em tempos em nem imaginávamos a Internet; E ainda, naqueles anos, Karpov e Kasparov dividiam a atenção nas disputas do título mundial do xadrez. É que me veio a cabeça neste momento.
Finalizo este primeiro post com uma imensa saudade. E como se diz que recordar é viver, sinto-me revigorado, cheio de vida, por ter trazido a tona essas passagens, as quais compartilho com os amigos na esperança de também lhes proporcionar o mesmo prazer que pude encontrar dentro de mim.
Aqueles que também quiserem complementar este post, fiquem a vontade para lançar nos comentários, fatos que marcaram o xadrez naqueles anos em que as nossas maiores preocupações eram a inflação e a guerra fria.
Aqueles que também quiserem complementar este post, fiquem a vontade para lançar nos comentários, fatos que marcaram o xadrez naqueles anos em que as nossas maiores preocupações eram a inflação e a guerra fria.

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